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Varejo na Era do Compartilhamento

Existe um provérbio chinês muito intrigante: “Que você viva em tempos interessantes!” Na visão chinesa, viver tempos interessantes significa conviver com agitação, transformação e lutas. Estamos vivendo tempos interessantes. Tempos de uma transição econômica – e não estou falando dos desafios conjunturais presentes.

As mudanças que vivemos são mudanças de “Era Econômica”. Até agora a tecnologia nos trouxe conectividade, velocidade, redes sociais sem limites e interações que amplificaram as possibilidades nas relações pessoais e nos negócios. A Era do Compartilhamento, que começou como uma faceta relacional, transforma-se agora em econômica, o que significa mudanças não apenas nas relações humanas, mas nas moedas de trocas e nos modelos de negócios. Pense nos embates do Uber e temos um exemplo desta época interessante.

No excelente artigo “Entendendo o Novo Poder”, de Jeremy Heimans e Henry Timms, publicado na Harvard Business Review, o tema Compartilhamento é tratado como deslocamento de poder (e por isso uma Era Econômica) onde o Velho Poder requeria apenas o consumo por parte das massas. Já o Novo Poder, aproveita a capacidade e o desejo das pessoas em participarem da Economia para compartilhar um conteúdo ou objeto, remixar, cocriar, personalizar, financiar ou produzir.

Além disso, as formas de pagamento desta nova Era Econômica são diferentes. Por exemplo, ao invés do usuário comprar um carro ou usar um táxi para se deslocar, surge a Carona Compartilhada como a oferecida pelo site Carona Brasil. O Compartilhamento insere várias modalidades de pagamento, como: posse compartilhada ou copropriedade, empréstimos temporários, subcontratação, trocas, permissão, uso sob demanda, revenda, parcerias e aluguel em modalidades novas (como aluguel de roupa de bebê).

No artigo citado anteriormente há uma escala que esclarece a transição que estamos vivendo. O Consumo Tradicional, estágio em que vivíamos, envolvia uma empresa vendendo seu produto para outra empresa ou para pessoas. Por exemplo, uma editora que vende uma revista. Você vai lá, compra ou assina e assunto resolvido. O Compartilhamento de Conteúdos ou Ideias – degrau acima do Consumo, pode ser exemplificado pelo Youtube, ambiente em que uma pessoa física pode postar um vídeo ou reenviar conteúdos que achou interessante. O próximo estágio é a Modelagem, que envolve a remixagem ou adaptação de conteúdos, ou seja, uma pessoa adapta um vídeo, faz uma paródia, uma brincadeira, ou uma inspiração a partir de outro conteúdo, como por exemplo, uma propaganda.  Aqui, cabe lembrar a “Luiza que está no Canadá”.

O próximo degrau é o Financiamento. Os sites brasileiros Catarse ou Kikante, oferecem alternativas para que  eu e/ou você coloquemos nossos recursos financeiros e invistamos em um projeto em que acreditamos ou que coloquemos nosso projeto para financiamento coletivo.  A Produção – próximo estágio, que cria o contexto de compartilhamento sem que seja necessário escala. Um bom exemplo é o Airbnb, plataforma que viabiliza você alugar um quarto da sua casa ou a sua casa, diretamente para outra pessoa ou para uma empresa. Por fim, temos a Copropriedade, em que pessoas compartilham completa ou parcialmente bens ou conteúdos, como o site Ciranda. Lá, você pode colocar bens que não usa tanto para que outros possam usá-lo. Por exemplo, a sua esteira que transformou-se em cabide. Em contrapartida, isso dará a você o direito de ter acesso a outro bem que precisa. Por exemplo, uma furadeira.

Estas transformações vieram para ficar e o varejo pode, deve e precisa lidar e, principalmente, aproveitar as incontáveis oportunidades criadas por esta nova Era Econômica. Foi o que fez um grupo de curitibanos ao criar a Simple Guest, empresa que gerencia propriedades oferecidas no Airbnb. Não esqueça: épocas interessantes envolvem transformação e também oportunidades.

 

Fonte: O negócio do Varejo