+55 (11) 2103-4545contato@virtualgate.com.br

Varejo e indústria em busca das vendas perdidas

Em um ano de notícias ruins para a economia, a Black Friday, marcada para acontecer no dia 27 de novembro, anima fabricantes e varejistas em busca de vendas perdidas, mas está longe de ser a grande oportunidade de queima de estoques acumulados ao longo do ano.

A estimativa do site Busca Descontos, que trouxe o modelo de Black Friday para o Brasil, em 2010, é que as vendas cheguem a R$ 978 milhões, um avanço nominal de 12% em relação ao ano passado. É um ritmo bem mais lento que o registrado na comparação entre 2014 e 2013, quando o percentual foi de 24%. Descontada a inflação, que deve fechar 2015 na faixa de 9%, o crescimento real das vendas pode ficar na casa dos 3%.

Em relação ao gasto médio por internauta, a estimativa é que ele fique em R$ 422,39, ou 10% a mais que o registrado em 2014 – valor praticamente estável quando se desconta a inflação.

De acordo com Omar Jarouche, gerente de Inteligência da ClearSale, empresa de prevenção de fraudes na internet, dois fatores contribuem para esse desempenho. O primeiro é a consolidação da Black Friday como um evento importante no calendário do varejo.

Sem o fator novidade dos últimos anos, a euforia dos compradores tende a ficar menor, resultando em avanço menos acelerado de negócios. O outro impacto vem da queda da confiança do consumidor, que está menos disposto a gastar dinheiro. De acordo com Jarouche é difícil dizer qual fator tem mais peso no desempenho. “Precisaríamos de um ano menos atípico para saber exatamente”, disse.

Sobre o valor do ticket médio, ele avalia que uma das questões possa ser o investimento dos varejistas em kits de produtos – no modelo “pague um e leve dois”. Na avaliação de Juliano Motta, diretor de operações do site BlackFriday.com.br, isso também ajuda o consumidor a ter uma imagem menos negativa do vendedor. “Ele não fica com a impressão de que o produto em promoção poderia ser vendido mais barato normalmente”, disse.

Para ele, as projeções feitas para as vendas da Black Friday foram bastante conservadoras, e há expectativa de que possa haver uma surpresa positiva no desempenho. “O consumidor que não gastou dinheiro ao longo do ano com medo da instabilidade, vai pelo menos olhar as ofertas”, disse.

O site Black Friday vai reunir quase 20 empresas como Marisa, Nespresso, Hering, Saraiva, HP, Dell e novidades com a montador GM e a companhia aérea Azul. De acordo com o Busca Descontos, entre os produtos que os consumidores mais esperam descontos estão eletrônicos, eletrodomésticos e informática. Segundo levantamento feito pelo Google, 25% dos internautas pretendem comprar alguma coisa na Black Friday.

Segundo Bruno Couto, diretor de marketing da Netshoes, a data já se tornou a mais importante para a companhia, passando o Natal. Por conta disso, a varejista vem se preparando há 12 meses. “A Black Friday é uma compra mais impulsiva e o Natal é mais emociona, a compra da lembrancinha, com ticket médio menor”. Os perfis são diferentes”, disse. Desde o ano passado o site prepara um mês inteiro de ofertas. E a ideia é repetir esse esforço neste ano. De acordo com Couto, o mês de novembro sozinho poderá representar um trimestre inteiro de vendas da companhia, que teve receita de R$ 1,5 bilhão em 2014.

Neste ano, o Busca Desconto vai realizar também uma edição da “Cyber Monday”, um esforço de vendas no dia 30 de novembro para eliminar estoques remanescentes da Black Friday.

Fonte: Eletrolar