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Pesquisa aponta aumento no índice de perdas no varejo brasileiro

Segmento de Micro, Pequenas e Médias Empresas foi o que apresentou o maior índice. Inadimplência é a principal causadora das perdas.

O Instituto Brasileiro de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) divulgou, na semana passada, os resultados preliminares do relatório anual “15ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro”, elaborado pela entidade em parceria com o Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), e a Academia de Varejo. A edição traz os resultados referentes a 2014.

De acordo com o levantamento, naquele ano, as perdas nas atividades de comercialização de bens associadas a roubos, furtos e problemas operacionais foram de 2,89% do faturamento líquido das empresas varejistas brasileiras. Em relação a 2013, o índice aumentou, passando de 2,31% para 2,89%. E, na comparação com dados internacionais, é substancialmente maior do que os índices registrados na América do Norte (1,49%), Europa (1,27%), América Latina (1,60%) e Ásia/Pacífico (1,16%).

Dois fatores explicam esse resultado, segundo o presidente do Conselho do Ibevar/Provar, Cláudio Felisoni de Angelo. O primeiro é um melhor dimensionamento das perdas por parte das empresas varejistas, e o segundo está relacionado ao aumento das vendas não acompanhado de medidas preventivas adequadas.

“Essa tendência, particularmente a partir de 2011, decorre dos sinais pouco alentadores da economia, que levaram os varejistas a olhar o seu negócio do balcão para dentro e preocupar-se mais com a segurança e com o que está acontecendo na empresa. Esses indicadores mostram um número significativamente maior no Brasil, e as explicações são muitas: dizem respeito à própria operação do varejo; ao ambiente em que esta operação acontece, ou seja, a economia de um modo geral; e a aspectos culturais que impactam o negócio”, analisa Felisoni de Angelo.

O estudo abrangeu um total de 3.157 estabelecimentos – 80% deles localizados nas regiões sul e sudeste – dos segmentos de supermercados, farmácias e drogarias, material de construção e Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). A pesquisa no segmento MPMEs foi realizada pelo Sebrae, com 185 empresas dos ramos de alimentação, autopeças/pneus, construção, farmácias, informática, papelarias e livrarias, móveis, óticas, outros especializados, perfumaria e cosméticos, serviços, supermercados, hortifrútis, lojas de conveniência e vestuário/calçado/moda, e anexada ao relatório. O total de empresas que participaram do levantamento representa um faturamento bruto estimado em R$ 131,3 bilhões, pouco menos de 10% das vendas totais de bens no Brasil.

Por setor, o de MPMEs foi o que registrou o maior índice de perdas, com 4,44%, seguido pelos segmentos de supermercados (2,98%), material de construção (1,72%) e farmácias e drogarias (0,38%). Entre as causas das perdas, no segmento MPMEs, a inadimplência aparece em primeiro lugar (0,54%), seguida por produtos danificados (0,35%); outros (0,30%); assaltos (0,22%); e problemas com cheques (0,17%). No segmento de supermercados, 33,35% das perdas ocorreram por quebra operacional; 16,59% por erros de inventário; e 16,03% por furto externo.

No ramo de material de construção, erros operacionais também aparecem como os maiores responsáveis por perdas, com 26%, seguidos de quebras operacionais (22%) e furto interno (21%). E, nas farmácias e drogarias, quebras operacionais, com 25%, foram as maiores causas das perdas registradas. Em segundo lugar vêm erros operacionais (19%) e, em terceiro, com 15% cada um, furto interno, furto externo e outros fatores não listados.

“Essa pesquisa é importante porque ajuda a orientar a ação dos varejistas. Embora as medidas possam não ser tão precisas e até influenciadas pelo próprio questionário, ela tem um caráter pedagógico porque ‘ilumina’ determinado setor e determinadas áreas com problemas, e as empresas passam a olhá-los com mais atenção”, destaca o executivo.

Fonte: Executivos Financeiros