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Correria de Natal: Consumidores deixam compras para última hora e fluxo cresce 50%

Nem mesmo o cenário econômico retraído foi capaz de frear o consumidor de ir às compras de Natal na última hora. Nesta semana, os soteropolitanos lotaram as lojas dos shoppings e do comércio de rua da capital baiana. De duas semanas para cá, o fluxo nas lojas  cresceu 50%.  Na noite de segunda-feira, por exemplo, o engarrafamento para entrar no Shopping Barra chegou até as proximidades do Instituto Médico-Legal, nos Barris.

O aumento no fluxo foi percebido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL). “Isso é uma característica do brasileiro: deixar tudo para a ‘Hora H’. Mesmo que com o bolso  apertado, o Natal ainda tem esse lado que envolve o sentimento”, explica o presidente Frutos Dias Neto.

Segundo levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) 19,6 milhões de pessoas devem comprar os presentes apenas na semana do Natal.

Neste ano,  o gasto médio do presente diminuiu de R$ 125,22 em 2014 para R$ 106,94 em 2015, o que representa uma queda de 22% com a inflação acumulada no período. Neto revela ainda que espera um crescimento de 5% nas vendas em comparação ao mesmo período do ano passado. “Se abatermos a inflação (na casa dos 10%), porém, há uma queda real de 5%”.

O aumento no movimento dos corredores dos shoppings trouxe um ar de esperança aos lojistas, depois de um ano de quedas consecutivas no volume de vendas do varejo. “Aqui não tem crise, está todo mundo comprando. Vai dar para conseguir tirar comissão bem boa”, comemora a vendedora da loja Opção do Shopping Barra, Jacilene Coutinho.

Para o gerente da loja Hering, localizada no mesmo shopping,  Henrique Menezes, o varejo passou por dificuldades durante o ano, por conta da cautela do consumidor em gastar. “Ganha a venda quem oferecer mais por menos”.

A estratégia para comprar barato é pesquisar… e muito. Foi o que fez a empresária Joana D’arc Cristo, principalmente porque reduziu o limite dos presentes dos  filhos em cerca de 85% – se ano passado cada um teve R$ 7 mil para gastar, este ano a cota fechou em R$ 1 mil – sem direito a negociações. “Ano passado eles fizeram a festa, mas este tive que dar uma segurada. Eles até tentaram me convencer a comprar um iPhone, mas já barrei”, decreta a mãe de Fernando, Giselle e Graziele.

A atendente Jose Almeida, por exemplo,  bateu muita perna para encontrar a ‘Barbie Luzes’ que prometeu para a filha, pela metade do preço. “Semana passada, a boneca custava R$ 119,90. Foi um alívio voltar hoje (ontem) e conseguir comprar ela por R$ 69,90”.

Lojas de rua
No Centro de Salvador, as lojas da Avenida Sete também apostam nos dias que antecedem o Natal para esquentar as vendas. “Vai ser a nossa salvação, principalmente porque o consumidor não quer presente, mas lembrancinha”, aposta a proprietária da loja Estilo 5, Ione Sampaio, que vende qualquer peça por R$ 10.

Na loja Shopping 10, onde o valor dos produtos varia entre R$ 5 e R$ 35, o fluxo nos últimos dias já aumentou 30%. O preço médio em compras está em R$ 300, como afirma a gerente de estoque da loja, Silmara Araújo.

“A gente não sabe ainda se vai dar para reverter as perdas, mas, com certeza, vamos fechar o ano melhor”, considera. “Mesmo com a recessão, as pessoas ainda fazem um esforço para comprar”, acrescenta ela.

Esforço que a aposentada Dilma Ribeiro tem feito já há alguns meses, a fim de comprar o presente dos familiares sem se endividar. Juntou um extra ao décimo terceiro e destinou R$ 6 mil só para os gastos de fim de ano.

“De lembrancinha em lembrancinha, o dinheiro já foi todo. Comprei à vista, porque não gosto de começar o ano devendo”, confessa a aposentada, que saiu de uma das lojas da Avenida Sete com mais de dez presentes.

Fonte: Correio 24 horas